Aos 86 anos, Amália Cora Trobo já produziu cerca de 250 peças para vizinhos e profissionais de saúde.

Na juventude, viu a família ajudar pessoas que fugiam do nazismo.

Aos 86 anos, dona Amália Cora Trobo produz máscaras para doações, em Limeira Arquivo pessoal Hoje com 86 anos, dona Amália Cora Trobo é uma senhora espanhola acostumada desde muito cedo com adversidades.

Ainda criança e adolescente, foi testemunha da Guerra Civil Espanhola (1936-1939) e logo em seguida da Segunda Guerra Mundial (1939-1945).

Durante o conflito mundial, sua família chegou a abrigar refugiados que escapavam dos nazistas.

Já na ditadura comandada pelo general Francisco Franco (1939-1975), decidiu migrar para o Brasil com o filho e o marido, em 1963.

Hoje, estabelecida em Limeira (SP), enfrenta o desafio de pertencer ao grupo de risco durante a pandemia do novo coronavírus e, influenciada pelos atos de bondade da família no passado, decidiu passar a costurar máscaras para doar a quem precisa. Imigrante da Espanha, Amália Cora Trobo presenciou a Guerra Civil Espanhola e a Segunda Guerra Mundial Arquivo pessoal Ativa e necessitando ficar em casa, Amália decidiu retomar um ofício que exerceu durante anos no passado e perguntou à filha, a autônoma Milagros Lopes Giacon, se ela precisava de alguma costura.

“E ela sugeriu: ‘por que você não faz máscaras?’”, conta a mãe. Então, pegou todos os panos que tinha disponíveis e começou a produção, que gerou peças distribuídas a vizinhos e profissionais de saúde. Uma das remessas, de 60 peças, foi entregue pela filha diretamente ao prefeito limeirense, Mario Botion, na semana passada.

“Agora, faltou elástico e minha vizinha, que também é costureira, me deu elásticos para eu terminar, e me deu um monte de pano, e continuei fazendo máscaras.

Acho que já fiz umas 250”, calcula. Vizinhos colaboram com doação de tecidos e elásticos para que Amália Cora Trobo produza máscaras, em Limeira Arquivo pessoal Solidariedade no sangue Os ensinamentos sobre bondade ocorreram na prática.

Dona Amália garante que ainda se lembra bem de quando refugiados batiam na porta, à noite, e eram abrigados por sua família. “Abria-se e dava-se comida, mandavam para cama e ficar bem quietinhos.

Se a polícia chegava em uma hora dessas saía tiroteio e salve-se quem puder, mas graças a Deus nunca teve”, recorda. Uma herança de bondade mantida viva e em discrição.

“Foi isso que meus pais me ensinaram.

Me ensinaram que a gente faz caridade com a mão direita e não pode a esquerda saber.

Fiz caridade e não foi só para aparecer não”, garante a aposentada, que inicialmente havia resistido à entrevista pelo mesmo motivo.

"A gente faz caridade com a mão direita e não pode a esquerda saber", diz dona Amália Arquivo pessoal ‘Inimigo invisível’ Para ela, o momento que o mundo vive atualmente lembra as tensões bélicas que presenciou, mas com uma diferença crucial: “Desta vez é inimigo invisível, e você não sabe onde está e nem quando vai aparecer.

Não é fácil.

A economia mundial vai ser muito diferente”, reflete. Dona Amália ainda tem vínculos com parentes na Espanha e França, mas diz que o cenário relatado por eles nestes países é o mesmo: “estão trancados em casa, assim como nós”. “Ele [um primo na França] sai e tem que ter um papel assinado justificando que vai comprar comida para os pais e ir na farmácia, senão não pode sair.

Ao chegar, deixa as coisas na porta da casa [dos pais] e nem na casa pode entrar”. Mas a voz da experiência recomenda paciência.

“A mensagem que eu tenho é: muita calma, que tudo vai passar.

Muita fé, Deus é misericordioso e tudo vai passar.

E seguir os conselhos médicos, já que ainda não temos remédio comprovado para isso e nem vacina”. Veja mais notícias da região no G1 Piracicaba