O procurador-geral da República, Augusto Aras, vai assistir ao vídeo ministerial neste final de semana para decidir, depois, se existem diligências a serem pedidos ou se já encaminha a investigação para o final: ou seja, para a oitiva de Jair Bolsonaro. O depoimento de Bolsonaro será o último ato do inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF).

A Procuradoria-Geral da República (PGR) considera que o inquérito está na fase intermediária para o fim, e espera que a investigação se encerre no prazo de 60 dias. Segundo o blog apurou, Aras quer “formar juízo” sobre o vídeo para se manifestar sobre os próximos passos.

Até agora, ele recebeu relatos de assistentes da procuradoria que acompanharam a exibição do vídeo. O procurador também considera que o depoimento de Paulo Marinho era necessário, mas avalia que o inquérito só usará informações do empresário se ele revelar fatos novos. Aras tem dito, nos bastidores, que não pode transformar o vídeo “em um carnaval”. Também aguarda o material de Celso de Mello chegar às suas mãos para opinar sobre a apreensão do celular do presidente. No Planalto, a avaliação é a de que Aras se manifestará contra o pedido de parlamentares pelo celular de Bolsonaro. A interlocutores, o PGR considerou que houve “excesso de zelo” de Celso de Mello ao enviar a representação para sua manifestação – e que o relator poderia ter arquivado a representação. Calamidade No Planalto, assessores do presidente adotaram o discurso de que o vídeo ajuda Bolsonaro junto a seus eleitores porque reforça a personalidade do candidato que a sua base elegeu. No entanto, apesar de minimizarem o vídeo como peça jurídica, admitem a preocupação com o incalculável: o cenário pós-pandemia, com número de mortes crescendo somado ao desemprego. Para integrantes da cúpula do Congresso ouvidos pelo blog, é exatamente a pandemia que vai ditar o ambiente para impeachment.

Por isso, afirmam, hoje o vídeo não é “bala de prata” contra Bolsonaro.

Mas, a médio prazo, não descartam o impacto do vídeo como parte de um “combo” insustentável politicamente para Bolsonaro, reforçando as condições para o afastamento do presidente. O próprio Aras, quando questionado a respeito do futuro a médio prazo, reforça a assessores que “estamos vivendo uma calamidade muito séria” – e que ninguém, até agora, deu respostas concretas para a saída da crise