Sem renda por não se apresentarem durante a pandemia, profissionais da área de cultura deixaram seus locais de trabalho e foram para a Casa de Cultura Aquarela.

Sem renda, artistas da região de Campinas relatam dependência de ajuda durante quarentena Com a quarentena provocada pela pandemia do novo coronavírus, pelo menos 800 artistas de Campinas (SP) estão impossibilitados de se apresentar e, com isso, passam por dificuldade financeira.

Pensando nisso, a Casa de Cultura Aquarela decidiu abrigar os profissionais. Até o momento, 14 artistas passaram a morar no centro cultural, que existe há 30 anos.

Do local, as pessoas tentam manter as atividades, mesmo que de maneira virtual.

Christian Matias, integrante de um circo-escola, se viu obrigado a deixar o barracão que trabalhava e se mudar para a Casa Aquarela. "Estou trazendo algumas coisas para o espaço Aquarela, a gente está gravando alguns vídeos aqui.

A proprietária do nosso barracão tem sido super generosa, solidária.

Cedeu alguns meses de carência, está aberta para negociação.

Mas, infelizmente, a gente não sabe o que vai acontecer", afirmou. Antes da pandemia, a Casa de Cultura Aquarela desenvolvia atividades culturais para crianças e adultos, além de cursos de pós-graduação.

No entanto, diante das dificuldades dos profissionais, o espaço decidiu oferecer ajuda.

"O artista-músico de restaurante, o músico de rua, o técnico e o gestor estão todos parados.

Estamos alojando alguns artistas, e outros estão trazendo seus equipamentos porque largaram seus prédios", contou Marcos Brytto, diretor cultural. Casa de Cultura Aquarela abriga artistas de Campinas (SP) durante a quarentena Reprodução/EPTV Cumprindo a quarentena no local desde fevereiro, Jaqueline Souza, que trabalha em um circo, destacou a dificuldade de enxergar a atual situação. "Olho meus amigos chegando, passando por isso, essa necessidade, vivendo de cesta básica", disse, emocionada. Edital com auxílio de R$ 500 Na última quinta-feira (21), a Prefeitura de Campinas anunciou um edital que visa auxiliar com R$ 500 quem vive das atividades culturais.

No entanto, para o representante dos artistas de teatro, Ton Crivelaro, o auxílio não é suficiente.

Ele enfatiza que o custo para se produzir um show virtual é o mesmo em relação à apresentação presencial. "Você precisa dos ensaios, do iluminador e do sonoplasta, para que você monte um espetáculo realmente profissional.

Eles oferecem um cachê de 500 reais.

Qual a diferença de se apresentar on-line ou no teatro? A diferença é nenhuma, você apresenta da mesma maneira, e o espetáculo precisa ter a mesma qualidade", explicou.

Suzana Montaurion, diretora da Univida, universidade que oferece o curso de pós-graduação em arte, reforça a necessidade de os artistas continuarem a se apresentar. "Os artistas estão sofrendo neste momento, assim como todos.

Acho que ninguém está fora desse barco.

Mas os artistas não têm outras estradas.

Nossa estrada é esta: produzir encantamentos, produzir arte, e precisamos do público", relatou.

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