Daianne Luna chegou à capital potiguar em fevereiro com os três filhos após dois anos sem ver a família, mas, com o avanço do coronavírus, não conseguiu voltar para casa, onde está o marido.

Daianne Luna está sem conseguir voltar para casa Cedida Morando em Auckland, na Nova Zelândia, há dois anos, a potiguar Daianne Luna, de 24 anos, desembarcou em Natal no dia 23 de fevereiro para visitar a família e apresentar o seu filho recém-nascido, Louis, aos parentes.

Ela planejava ficar na capital potiguar com os três filhos até maio, quando retornaria para casa.

O marido dela chegaria no Brasil em abril e pegaria o vôo de volta para o país da Oceania junto com a família.

Porém, dias depois dela chegar no Rio Grande do Norte, o cenário mundial mudou com o avanço do novo coronavírus.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) decretou pandemia da doença no dia 11 de março e os casos no Brasil, nos Estados Unidos e na Europa aumentaram.

Assim, como medida preventiva, houve uma redução abrupta de voos internacionais e também bloqueios terrestres e aéreos em vários países. Daianne Luna, então, buscou retornar o quanto antes para casa.

Mas desde então não consegue.

O voo de volta, marcado para o dia 11 de maio, foi cancelado.

Uma remarcação feita para o dia 3 de junho também já foi cancelada.

Segundo a potiguar, a companhia aérea informou que os voos para a Nova Zelândia só devem começar a ocorrer entre o fim de julho e o mês de agosto. MAPA DO CORONAVÍRUS: as cidades com infectados e o avanço dos casos Memorial das vítimas: conheça a história de potiguares que morreram com a doença "Eu estava há dois anos na Nova Zelândia e a gente sente saudades de ver os familiares.

Então, surgiu a oportunidade no início do ano da gente voltar para Natal, rever a família e amigos e apresentar o Louis, meu terceiro filho, que nasceu lá.

E desde então por causa disso tudo eu não pude ir embora e meu marido não pode vir", explicou Daianne Luna.

Ela conta que no dia 28 de abril houve um voo de repatriação avisado em cima da hora, que partiria de São Paulo.

De lá até a Nova Zelândia, são 25 horas de viagem.

"Eu não tinha como pegar as crianças, fazer mala de um dia para o outro.

Eu tenho que preparar minhas filhas para esse vôo.

Não teve condições de eu viajar.

E eu ainda estava esperando a permissão de entrada da imigração.

Não é de uma hora pra outra", falou. Ela reclama que a companhia aérea não tenta negociar com eles e a embaixada brasileira na Nova Zelândia não dá alternativas para a situação.

"A minha vida está toda estruturada lá.

As minhas filhas estudam lá e eu estou com medo de perder a vaga da escola delas.

Nós estamos acostumados com a vida de lá, a rotina".

Segundo a potiguar, outras 70 pessoas no Brasil também não conseguiram retornar nesse voo e estão tentando até o momento voltar para a Nova Zelândia.

"Tem pessoas que estão com medo de perder o emprego", relatou.

Daianne - que está com os filhos Isabel (7 anos), Bella (3 anos) e Louis (8 meses) em Natal - relata que há uma preocupação entre ela e o marido pela situação.

"Meu marido está muito mal, porque está sozinho.

Ele fala que o sentido de termos ido para a Nova Zelândia é por causa das nossas filhas, de mim.

Então, ele se sente desamparado, sem estímulo pra trabalhar, muito triste".

"Minha filha faz aniversário no dia 2 de julho e chora pedindo pelo pai.

O meu aniversário é no dia 21 de junho e eu só quero de presente mesmo a minha família completa". A Nova Zelândia tem evoluído no combate ao coronavírus, tendo, neste mês de maio, dias em que não há nenhum registro de novos casos no país. Initial plugin text